Sobre a Escuta da população atingida

A escuta da população atingida é um elemento central do Programa Nosso Chão, Nossa História e fundamental para processos de reparação em desastres socioambientais. Além de permitir a coleta de informações, ela reconhece as pessoas como protagonistas, valorizando suas experiências, memórias e formas de resistência.

Por meio da escuta, é possível compreender como o desastre impacta a vida cotidiana de um modo mais amplo, extrapolando as perdas materiais e identificando os danos para as relações, para o vínculo com o território e para o sentimento de pertencimento.

Como os impactos não atingem todas as pessoas da mesma forma, a escuta ajuda a dar visibilidade a grupos mais vulnerabilizados e a identificar danos muitas vezes invisíveis, como perdas simbólicas, culturais e comunitárias.

A escuta do Programa Nosso Chão, Nossa História foi idealizada pelo Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais (CGDE) e operacionalizada pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS).

Ela foi estruturada como uma ferramenta participativa para identificar os danos extrapatrimoniais e apoiar a construção de caminhos para a reparação. Para ampliar o alcance, foram utilizadas diferentes estratégias, como escutas individuais e coletivas, ações nos territórios e ferramentas digitais.

Identificar impactos e demandas relacionados aos danos extrapatrimoniais, contribuindo para a construção de ações de reparação mais justas e conectadas às necessidades das comunidades.

Também buscou:

Valorizar as narrativas da população atingida

Compreender impactos emocionais, sociais e simbólicos

Apoiar a construção das Trilhas da Reparação

Ampliar a participação social

Evidenciar desigualdades nos impactos do desastre

Conheça a população alcançada

Eixos de identificação

Dimensões da escuta

Estratégias e métodos

Resultados

Como foi a escuta?

A Escuta foi estruturada a partir de uma abordagem participativa e territorializada, combinando diferentes estratégias para garantir a participação ativa da população atingida.

Foi organizada em três eixos interdependentes ( território, indivíduo e coletivo), que permitem compreender os danos extrapatrimoniais em suas dimensões territorial, subjetiva e social.

Entre os métodos utilizados, estão os grupos focais, as rodas de conversa, os encontros participativos e as ferramentas digitais. Houve também uma busca ativa nos territórios, incentivando a participação individual de pessoas atingidas.

Essa articulação buscou uma compreensão mais ampla dos impactos do desastre, ao mesmo tempo em que fortaleceu vínculos, valorizou as experiências vividas e subsidiou a construção de ações de reparação mais adequadas às realidades da população atingida.

População atingida alcançada

A escuta individualizada, realizada pelo WhatsApp, por meio da ferramenta digital IARA, alcançou um conjunto diverso de pessoas atingidas pelo desastre socioambiental, contemplando diferentes territórios, perfis sociais e trajetórias de deslocamento. 

4.759 pessoas atingidas foram alcançadas dessas;

População negra

74,7% do total, sendo 71,2% com relato de deslocamento forçado. Predominância de mulheres negras entre 45 e 54 anos.

Mulheres

57,9% do total, das quais 74% são negras; 71% relatam deslocamento forçado.

Povos da Lagoa

49,6% do total, com 80,2% de pessoas negras, evidenciando forte vínculo territorial com a região lagunar.

Pessoas idosas (60+)

18,8% do total, indicando elevada presença de população em faixa etária mais sensível aos impactos do deslocamento.

Pessoas com deficiência

8,4% do total, das quais 69,9% relatam ter sido obrigadas a se mudar.

População LGBTQIAPN+

80% relataram deslocamento, com destaque para pessoas trans, travestis e não binárias entre 35 e 44 anos.

Nota: *os números totais podem divergir da amostra total e entre si devido ao caráter não obrigatório de resposta a essas informações na interação com a ferramenta digital.

Novos segmentos foram identificados na escuta e passaram a compor os grupos prioritários do Programa:

Agentes de esporte

81% foram forçados a se mudar.

Fazedores de cultura

72% relataram deslocamento.

Representantes religiosos

73,6% foram deslocados, com 72% de pessoas negras, incluindo diferentes matrizes religiosas.

A maioria das pessoas que interagiram com a IARA (cerca de 70%) declarou ter precisado deixar suas residências

Bairros de origem

Bairros de destino

O principal traço do perfil das pessoas alcançadas é o deslocamento forçado em larga escala, decorrente do desastre nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol, que impactou aproximadamente 60 mil pessoas. A maioria das pessoas que interagiram com a IARA (cerca de 70%) declarou ter precisado deixar suas residências, evidenciando a desterritorialização como eixo central dos impactos. 

Esse processo não se restringe às pessoas deslocadas: a parcela que permaneceu nas áreas afetadas também vivencia efeitos significativos, como esvaziamento comunitário, insegurança contínua e ruptura das dinâmicas cotidianas.

As interações indicam, ainda, que os principais territórios de reassentamento incluem Vergel, Petrópolis, Cidade Universitária, Chã de Jaqueira e Benedito Bentes, refletindo uma redistribuição populacional para áreas da “parte alta” de Maceió. Esse deslocamento rompeu vínculos históricos com a região lagunar, base de subsistência de pescadores, marisqueiras e comunidades ribeirinhas, com impactos diretos sobre identidade, trabalho e modos de vida.

A análise do perfil das pessoas alcançadas evidencia que os impactos do desastre não se distribuem de forma homogênea, afetando de maneira mais intensa grupos socialmente vulnerabilizados e fortemente vinculados ao território de origem. O deslocamento forçado é, portanto, elemento estruturante das perdas materiais e imateriais, com repercussões diretas sobre vínculos comunitários, identidades coletivas e condições de vida.

Os resultados

Eixos de identificação

“A gente não vive, a gente sobrevive nessa situação.”

“Fomos esquecidos.”

“A mineradora tratasse as pessoas com respeito […] ali eram vidas, histórias e sonhos.”

“A cultura que se fazia ali […] tudo foi perda.”

“Jogou cada família num lugar e que se virem.”

“Eu sou a terceira geração de feirantes […] destruíram meu trabalho.”

Território

Visão Geral

Os resultados neste eixo mostram que os impactos do desastre vão além da perda física do espaço, afetando profundamente os modos de vida, os vínculos sociais, o pertencimento e as referências simbólicas das comunidades. O deslocamento forçado provocou a ruptura das dinâmicas cotidianas, a fragmentação das redes de apoio e a desarticulação de atividades econômicas, gerando insegurança, isolamento e perda de referências.

Além disso, a precarização das condições de vida nos novos territórios e o apagamento de memórias e identidades coletivas reforçam processos de vulnerabilização e não pertencimento. Nesse contexto, a reparação territorial é compreendida como um processo que vai além da compensação material, exigindo a reconstrução integrada das condições de vida, dos vínculos comunitários e das referências simbólicas que sustentam a vida em coletividade.

Resultados

  • Desenraizamento e ruptura dos vínculos territoriais
  • Fragmentação das redes comunitárias e de apoio social
  • Desestruturação das dinâmicas socioterritoriais e do cotidiano
  • Dispersão territorial e afastamento de familiares, vizinhos e redes de convivência
  • Precarização da infraestrutura, mobilidade e acesso a serviços
  • Aumento das distâncias e sobrecarga nos deslocamentos cotidianos
  • Perda de espaços coletivos, culturais e de convivência
  • Desarticulação das atividades econômicas e dos modos de subsistência
  • Desterritorialização e deslocamento compulsório
  • Dificuldade de adaptação e reterritorialização em novos espaços
  • Apagamento simbólico do território e perda de referências espaciais
  • Impactos na memória coletiva e na identidade territorial
  • Sensação de não pertencimento e estranhamento nos novos territórios
  • Agravamento de vulnerabilidades territoriais e sociais
  • Perda das condições de segurança, estabilidade e qualidade de vida
  • Demandas por reconstrução de vínculos, memória e pertencimento

Vozes para a reparação

“A gente não vive, a gente sobrevive nessa situação.”

“Fomos esquecidos.”

“A mineradora tratasse as pessoas com respeito […] ali eram vidas, histórias e sonhos.”

“A cultura que se fazia ali […] tudo foi perda.”

“Jogou cada família num lugar e que se virem.”

“Eu sou a terceira geração de feirantes […] destruíram meu trabalho.”

Indivíduo

Visão Geral

Este eixo revela o impacto do desastre para a saúde mental e a experiência de vida das pessoas atingidas. As narrativas mostram sofrimento contínuo, com sentimentos como tristeza, ansiedade e insegurança, associados à perda do território, à ruptura de vínculos e à desorganização do cotidiano.

O deslocamento forçado interrompe trajetórias de vida, fragiliza redes de apoio e compromete o senso de pertencimento, gerando isolamento e incerteza em relação ao futuro.

Além disso, a perda de referências territoriais e comunitárias afeta a identidade e a memória, produzindo um processo de luto prolongado. Esses impactos evidenciam que o sofrimento individual está diretamente ligado à desestruturação social e territorial, configurando um dano extrapatrimonial complexo, que exige respostas integradas de reparação.

Resultados

  • Sofrimento psíquico persistente (ansiedade, depressão, tristeza contínua)
  • Luto prolongado pela perda do território, vínculos e modos de vida
  • Ruptura das redes de sociabilidade e pertencimento
  • Isolamento social e dificuldade de reconstrução de vínculos
  • Insegurança constante e instabilidade nas condições de vida
  • Suspensão de projetos de vida e dificuldade de planejar o futuro
  • Frustração e sensação de abandono em relação aos processos de reparação
  • Agravamento de vulnerabilidades (especialmente entre idosos e grupos mais expostos)
  • Impactos na identidade e na memória biográfica
  • Perda de sentido, autonomia e perspectiva de futuro (dano existencial)

Vozes para a reparação

“A gente não vive, a gente sobrevive nessa situação.”

“Fomos esquecidos.”

“A mineradora tratasse as pessoas com respeito […] ali eram vidas, histórias e sonhos.”

“A cultura que se fazia ali […] tudo foi perda.”

“Jogou cada família num lugar e que se virem.”

“Eu sou a terceira geração de feirantes […] destruíram meu trabalho.”

Coletivo

Visão Geral

Aqui, os resultados indicam que o desastre causa impacto além das experiências individuais, afetando profundamente a vida comunitária, a memória coletiva e os vínculos sociais. As narrativas revelam um processo de desestruturação marcado pela fragmentação das redes de apoio, pela perda de referências culturais e pelo enfraquecimento do pertencimento.

A dispersão das comunidades gerou isolamento e aumentou a vulnerabilidade, especialmente entre grupos mais fragilizados, ao mesmo tempo em que comprometeu formas coletivas de cuidado, convivência e subsistência.

Além disso, observa-se um processo de apagamento simbólico e ruptura das histórias compartilhadas, embora a memória também surja como forma de resistência. Esse cenário evidencia um dano coletivo persistente, que exige ações de reparação que vão além da compensação material, incluindo a reconstrução dos vínculos comunitários, o reconhecimento das memórias e a recomposição das condições de vida coletiva.

Resultados

  • Apagamento simbólico e desestruturação da memória coletiva
  • Ruptura das narrativas históricas e da identidade coletiva
  • Impactos interseccionais sobre grupos vulnerabilizados (mulheres, idosos, famílias de baixa renda)
  • Fragmentação dos vínculos comunitários e das redes de solidariedade
  • Isolamento social e enfraquecimento do tecido coletivo
  • Precarização das condições de vida e aumento da vulnerabilidade social
  • Desarticulação das microeconomias locais e dos modos coletivos de subsistência
  • Perda de práticas culturais, religiosas e de convivência
  • Invisibilização institucional da memória, cultura e modos de vida
  • Ceticismo em relação às instituições e percepção de assimetrias sociais.
  • Trauma coletivo prolongado e sofrimento emocional compartilhado
  • Luto territorial e ausência de reconhecimento institucional do sofrimento
  • Ruptura intergeracional de saberes, práticas e vínculos
  • Desterritorialização como processo coletivo de expulsão direta e indireta
  • Dificuldade de reconstrução das redes sociais em novos territórios
  • Intensificação das desigualdades sociais preexistentes
  • Demandas por reconhecimento simbólico, memória e reparação coletiva

Vozes para a reparação

Trilha da reparação

Os projetos de reparação são organizados em gerações, que funcionam como marcos estruturantes do Programa Nosso Chão, Nossa História e são definidas a partir das escutas, diagnósticos e pesquisas. Cada geração é orientada por um conceito central, que direciona suas estratégias, prioridades e formas de atuação. De forma integrada, essas gerações consolidam uma trilha da reparação, que representa o percurso do Programa na resposta às demandas da comunidade atingida. 

A 1ª geração de projetos iniciada em 2024, teve como foco o fortalecimento da capacidade local para a implementação da reparação. Considerando esse foco, foram desenvolvidas ações voltadas ao apoio a lideranças, coletivos e organizações da sociedade civil, ampliando sua capacidade técnica e operacional. As estratégias incluíram assistência técnica, apoio à formalização de organizações, desenvolvimento de diagnósticos e pesquisas, além da atuação em temas prioritários como saúde mental comunitária, geração de renda e empreendedorismo, e educação e bem-estar animal. Buscou-se como impacto fortalecer a rede local, ampliar a capacidade de execução de projetos e qualificar a produção de evidências sobre os danos extrapatrimoniais.

Já a 2ª geração de projetos iniciada em 2025, objetiva o avanço da reparação, com foco na ampliação do alcance das ações e no engajamento da população atingida, especialmente dos grupos prioritários identificados nas escutas. A participação social passa a ocupar lugar central, com a criação e fortalecimento de espaços de expressão, diálogo e construção coletiva.

Essa geração também incorpora uma abordagem mais integrada entre diferentes linhas temáticas, buscando atuar de forma articulada sobre as múltiplas dimensões dos impactos do desastre. Os impactos esperados incluem o fortalecimento da resiliência comunitária, o aumento da participação social, a ampliação do acesso às ações do Programa e o desenvolvimento de respostas mais integradas, efetivas e sustentáveis.

De forma integrada, as duas gerações de projetos, até esse momento do Programa, visam consolidar um processo contínuo de reparação, que articule o fortalecimento das capacidades locais com a ampliação do alcance e da efetividade das ações.

A lógica conceitual das gerações:

Fortalecimento da capacidade local

Foco: fortalecer a rede local para implementar projetos de reparação

Principais ações

Assistência técnica à rede local

Apoio à formalização de OSCs

Fortalecimento da capacidade técnica

Diagnósticos e pesquisas

Resultados esperados

Avanço da reparação

Foco: ampliar o alcance das ações e o engajamento da população atingida.

Principais estratégias

Ampliação das ações e alcance da população atingida, com atenção aos grupos prioritários

Participação social como eixo central: mais espaços de expressão e diálogo

Projetos integrados entre diferentes linhas temáticas para ações mais articuladas

Resultados esperados

A trilha da reparação é o percurso contínuo, progressivo e cumulativo por meio do qual o Programa responde às demandas da comunidade atingida, articulando o atendimento às necessidades relacionadas aos danos extrapatrimoniais com o aprimoramento técnico das estratégias e dos projetos ao longo do tempo.

Trata-se de uma abordagem que reconhece a reparação não como uma ação pontual, mas se configura como um processo contínuo e estruturado de aprendizagem institucional e técnico social, no qual cada geração incorpora os avanços, limites e resultados da anterior. Mais do que executar ações e projetos, trata-se de construir um percurso orientado por evidências, pela participação social e pelo compromisso com os direitos extrapatrimoniais.

Nesse arranjo, a trilha da reparação é ancorada em linhas temáticas que organizam e dão sentido às diferentes gerações de projetos. A operacionalização dessa trilha depende, de forma intrínseca, da participação social da população atingida como ação estruturante. a participação social não se apresenta como dimensão acessória, mas como elemento transversal que sustenta a coerência, a legitimidade e a capacidade adaptativa da trilha ao longo do tempo.

Trilha da reparação

É o percurso contínuo que organiza as ações do Programa Nosso Chão Nossa História para reparar os danos extrapatrimoniais, fortalecer a comunidade e promover a participação

Economia Local

Achados da Escuta

  • Desarticulação das micro economias locais e dos modos coletivos de subsistência.
  • Precarização das condições de vida e aumento da vulnerabilidade social.
  • Desarticulação das atividades econômicas e dos modos de subsistência.
  • Insegurança constante e instabilidade nas condições de vida.
  • Fortalecimento da autonomia econômica de trabalhadores(as) e empreendedores(as), com ampliação de capacidades produtivas, organizativas e de gestão.
  • Recomposição e dinamização das redes produtivas e comerciais locais, estimulando cooperação e circulação de renda no território.
  • Melhoria do bem-estar social e psicossocial das populações atingidas.
  • Valorização e resgate da economia simbólica, reconhecendo saberes, práticas culturais, ofícios tradicionais e identidades produtivas afetadas pela desterritorialização.
  • Fortalecimento da socioeconomia e da economia solidária, com estímulo a iniciativas coletivas e comunitárias orientadas à justiça social e ambiental.
  • Ampliação do reconhecimento dos danos extrapatrimoniais relacionados ao trabalho e aos modos de vida, ampliando a compreensão da reparação para além da compensação financeira.
  • Aumento da resiliência econômica comunitária, com maior capacidade de adaptação frente às consequências prolongadas do desastre.

Comunicação

Achados da Escuta

  •  Invisibilização institucional da memória, cultura e modos de vida 
  • Ceticismo em relação às instituições e percepção de assimetrias sociais.
  • Demandas por reconhecimento simbólico, memória e reparação coletiva.
  • Ampliação do acesso qualificado à informação sobre direitos, reparação e participação social.
  • Fortalecimento do protagonismo comunicacional das populações atingidas e dos parceiros implementadores.
  • Desenvolvimento de capacidades educomunicativas locais e ampliação da produção de narrativas comunitárias.
  • Valorização da memória, saberes e identidades dos territórios atingidos.
  • Enfrentamento das desigualdades raciais, reduzindo silenciamentos e fortalecendo práticas antirracistas.
  • Maior engajamento social e fortalecimento de redes para a reparação e a justiça territorial.

Raça e etnia

Achados da Escuta

  • Impactos interseccionais sobre grupos vulnerabilizados (mulheres, idosos, famílias de baixa renda).
  • Intensificação das desigualdades sociais preexistentes.
  • Desterritorialização como processo coletivo de expulsão direta e indireta.
  • Dificuldade de reconstrução das redes sociais em novos territórios.
  • Desterritorialização e deslocamento compulsório.
  • Dificuldade de adaptação e reterritorialização em novos espaços.
  • Aumento das distâncias e sobrecarga nos deslocamentos cotidianos.
  • Enfrentamento das desigualdades, do racismo, da desinformação e das intolerâncias.  
  • Promoção da equidade, inclusão social, justiça socioambiental e direitos humanos.  
  • Produção de conhecimento e incidência para qualificação das políticaspoliticas públicas e sociais de reparação.  
  • Reconstrução de territórios com dignidade, pertencimento e sustentabilidade.

Religião

Achados da Escuta

  • Perda de práticas culturais, religiosas e de convivência.
  • Ruptura intergeracional de saberes, práticas e vínculos.
  • Dispersão territorial e afastamento de familiares, vizinhos e redes de convivência.
  • Agravamento de vulnerabilidades (especialmente entre idosos e grupos mais expostos).
  • Fortalecimento das comunidades de fé, dos vínculos comunitários e das práticas religiosas.
  • Contribuição para processos de reparação com dignidade humana, liberdade religiosa e justiça socioambiental.
  • Preservação e valorização da memória religiosa e comunitária dos territórios afetados.
  • Ampliação da convivência inter-religiosa, do protagonismo comunitário e do engajamento nas ações de reparação.
  • Registro, difusão e valorização das narrativas, rituais, celebrações e práticas religiosas.
  • Reconhecimento da diversidade religiosa e enfrentamento da invisibilização e da intolerância religiosa.

Esporte

Achados da Escuta

  • Fragmentação dos vínculos comunitários e das redes de solidariedade.
  • Isolamento social e enfraquecimento do tecido coletivo.
  • Fragmentação das redes comunitárias e de apoio social.
  • Desestruturação das dinâmicas socioterritoriais e do cotidiano.
  • Isolamento social e dificuldade de reconstrução de vínculos .
  • Ruptura das redes de sociabilidade e pertencimento.
  • Fortalecimento da memória e da identidade esportiva dos bairros atingidos.
  • Retomada e valorização das práticas esportivas e de lazer nos territórios.
  • Reconstrução de vínculos comunitários e ampliação do pertencimento territorial.
  • Fortalecimento da convivência comunitária e da resiliência individual e coletiva.
  • Ampliação da visibilidade e do apoio a agentes e coletivos esportivos atingidos.
  • Promoção da inclusão social e do acesso equitativo ao esporte para populações em situação de vulnerabilidade.

Saúde Mental Comunitária

Achados da Escuta

  • Sofrimento psíquico persistente (ansiedade, depressão, tristeza contínua).
  • Luto prolongado pela perda do território, vínculos e modos de vida. 
  • Suspensão de projetos de vida e dificuldade de planejar o futuro.
  • Perda de sentido, autonomia e perspectiva de futuro (dano existencial).
  • Trauma coletivo prolongado e sofrimento emocional compartilhado.
  • Luto territorial e ausência de reconhecimento institucional do sofrimento.
  • Desenraizamento e ruptura dos vínculos territoriais.
  • Sensação de não pertencimento e estranhamento nos novos territórios.
  • Fortalecimento do tecido social e dos vínculos comunitários.
  • Ampliação das redes de apoio e das práticas coletivas de cuidado.
  • Consolidação do apoio psicossocial como estratégia de cuidado territorializado.
  • Fortalecimento do protagonismo das populações atingidas.
  • Ampliação da convivência e da participação social.
  • Produção de conhecimentos sobre a reparação em saúde mental comunitária.

Cultura

Achados da Escuta

  • Apagamento simbólico do território e perda de referências espaciais.
  • Impactos na memória coletiva e na identidade territorial.
  • Perda de espaços coletivos, culturais e de convivência.
  • Impactos na identidade e na memória biográfica.
  • Apagamento simbólico e desestruturação da memória coletiva.
  • Ruptura das narrativas históricas e da identidade coletiva.
  • Demandas por reconhecimento. simbólico, memória e reparação coletiva.
  • Fortalecimento da memória coletiva, identidade territorial e vínculos comunitários.
  • Preservação e valorização da cultura e da memória dos bairros afetados.
  • Ampliação da participação e do engajamento comunitário nas ações culturais.
  • Registro, difusão e valorização das narrativas, saberes e práticas culturais das comunidades.
  • Estímulo à convivência, reconexão e apoio mútuo entre as populações atingidas.
  • Respeito à memória e à narrativa dos atingidos.
  • Contribuição para reparação com dignidade humana e justiça social.

Meio Ambiente

Achados da Escuta

  • Precarização da infraestrutura, mobilidade e acesso a serviços.
  • Agravamento de vulnerabilidades territoriais e sociais.
  • Perda das condições de segurança, estabilidade e qualidade de vida.
  • Fortalecimento da consciência socioambiental.
  • Proteção e recuperação dos ecossistemas.
  • Construção de comunidades mais resilientes e sustentáveis.
  • Fortalecimento dos vínculos comunitários e da participação social.
  • Contribuição para a adaptação às mudanças climáticas e a justiça socioambiental.
  • Promoção de uma cultura de cuidado, cooperação e sustentabilidade.

Fortalecimento da Sociedade Civil Organizada

Achados da Escuta

  • Ceticismo em relação às instituições e percepção de assimetrias sociais.
  • Invisibilização institucional da memória, cultura e modos de vida.
  • Frustração e sensação de abandono em relação aos processos de reparação.
  • Demandas por reconstrução de vínculos, memória e pertencimento.
  • Fortalecimento da capacidade institucional e organizativa das OSCs para a execução de projetos de reparação.
  • Ampliação da participação social da população atingida no Programa.
  • Recomposição dos vínculos comunitários e fortalecimento do tecido social.
  • Fortalecimento da resiliência comunitária e da organização coletiva.
  • Contribuição para a justiça social e ambiental nos territórios.
  • Construção de projetos coletivos de futuro mais justos e sustentáveis.

Economia Local

Achados da Escuta

  • Desarticulação das micro economias locais e dos modos coletivos de subsistência.
  • Precarização das condições de vida e aumento da vulnerabilidade social.
  • Desarticulação das atividades econômicas e dos modos de subsistência.
  • Insegurança constante e instabilidade nas condições de vida.
  • Fortalecimento da autonomia econômica de trabalhadores(as) e empreendedores(as), com ampliação de capacidades produtivas, organizativas e de gestão.
  • Recomposição e dinamização das redes produtivas e comerciais locais, estimulando cooperação e circulação de renda no território.
  • Melhoria do bem-estar social e psicossocial das populações atingidas.
  • Valorização e resgate da economia simbólica, reconhecendo saberes, práticas culturais, ofícios tradicionais e identidades produtivas afetadas pela desterritorialização.
  • Fortalecimento da socioeconomia e da economia solidária, com estímulo a iniciativas coletivas e comunitárias orientadas à justiça social e ambiental.
  • Ampliação do reconhecimento dos danos extrapatrimoniais relacionados ao trabalho e aos modos de vida, ampliando a compreensão da reparação para além da compensação financeira.
  • Aumento da resiliência econômica comunitária, com maior capacidade de adaptação frente às consequências prolongadas do desastre.

Comunicação

Achados da Escuta

  •  Invisibilização institucional da memória, cultura e modos de vida 
  • Ceticismo em relação às instituições e percepção de assimetrias sociais.
  • Demandas por reconhecimento simbólico, memória e reparação coletiva.
  • Ampliação do acesso qualificado à informação sobre direitos, reparação e participação social.
  • Fortalecimento do protagonismo comunicacional das populações atingidas e dos parceiros implementadores.
  • Desenvolvimento de capacidades educomunicativas locais e ampliação da produção de narrativas comunitárias.
  • Valorização da memória, saberes e identidades dos territórios atingidos.
  • Enfrentamento das desigualdades raciais, reduzindo silenciamentos e fortalecendo práticas antirracistas.
  • Maior engajamento social e fortalecimento de redes para a reparação e a justiça territorial.

Raça e etnia

Achados da Escuta

  • Impactos interseccionais sobre grupos vulnerabilizados (mulheres, idosos, famílias de baixa renda).
  • Intensificação das desigualdades sociais preexistentes.
  • Desterritorialização como processo coletivo de expulsão direta e indireta.
  • Dificuldade de reconstrução das redes sociais em novos territórios.
  • Desterritorialização e deslocamento compulsório.
  • Dificuldade de adaptação e reterritorialização em novos espaços.
  • Aumento das distâncias e sobrecarga nos deslocamentos cotidianos.
  • Enfrentamento das desigualdades, do racismo, da desinformação e das intolerâncias.  
  • Promoção da equidade, inclusão social, justiça socioambiental e direitos humanos.  
  • Produção de conhecimento e incidência para qualificação das políticaspoliticas públicas e sociais de reparação.  
  • Reconstrução de territórios com dignidade, pertencimento e sustentabilidade.

Religião

Achados da Escuta

  • Perda de práticas culturais, religiosas e de convivência.
  • Ruptura intergeracional de saberes, práticas e vínculos.
  • Dispersão territorial e afastamento de familiares, vizinhos e redes de convivência.
  • Agravamento de vulnerabilidades (especialmente entre idosos e grupos mais expostos).
  • Fortalecimento das comunidades de fé, dos vínculos comunitários e das práticas religiosas.
  • Contribuição para processos de reparação com dignidade humana, liberdade religiosa e justiça socioambiental.
  • Preservação e valorização da memória religiosa e comunitária dos territórios afetados.
  • Ampliação da convivência inter-religiosa, do protagonismo comunitário e do engajamento nas ações de reparação.
  • Registro, difusão e valorização das narrativas, rituais, celebrações e práticas religiosas.
  • Reconhecimento da diversidade religiosa e enfrentamento da invisibilização e da intolerância religiosa.

Esporte

Achados da Escuta

  • Fragmentação dos vínculos comunitários e das redes de solidariedade.
  • Isolamento social e enfraquecimento do tecido coletivo.
  • Fragmentação das redes comunitárias e de apoio social.
  • Desestruturação das dinâmicas socioterritoriais e do cotidiano.
  • Isolamento social e dificuldade de reconstrução de vínculos .
  • Ruptura das redes de sociabilidade e pertencimento.
  • Fortalecimento da memória e da identidade esportiva dos bairros atingidos.
  • Retomada e valorização das práticas esportivas e de lazer nos territórios.
  • Reconstrução de vínculos comunitários e ampliação do pertencimento territorial.
  • Fortalecimento da convivência comunitária e da resiliência individual e coletiva.
  • Ampliação da visibilidade e do apoio a agentes e coletivos esportivos atingidos.
  • Promoção da inclusão social e do acesso equitativo ao esporte para populações em situação de vulnerabilidade.

Saúde Mental Comunitária

Achados da Escuta

  • Sofrimento psíquico persistente (ansiedade, depressão, tristeza contínua).
  • Luto prolongado pela perda do território, vínculos e modos de vida. 
  • Suspensão de projetos de vida e dificuldade de planejar o futuro.
  • Perda de sentido, autonomia e perspectiva de futuro (dano existencial).
  • Trauma coletivo prolongado e sofrimento emocional compartilhado.
  • Luto territorial e ausência de reconhecimento institucional do sofrimento.
  • Desenraizamento e ruptura dos vínculos territoriais.
  • Sensação de não pertencimento e estranhamento nos novos territórios.
  • Fortalecimento do tecido social e dos vínculos comunitários.
  • Ampliação das redes de apoio e das práticas coletivas de cuidado.
  • Consolidação do apoio psicossocial como estratégia de cuidado territorializado.
  • Fortalecimento do protagonismo das populações atingidas.
  • Ampliação da convivência e da participação social.
  • Produção de conhecimentos sobre a reparação em saúde mental comunitária.

Cultura

Achados da Escuta

  • Apagamento simbólico do território e perda de referências espaciais.
  • Impactos na memória coletiva e na identidade territorial.
  • Perda de espaços coletivos, culturais e de convivência.
  • Impactos na identidade e na memória biográfica.
  • Apagamento simbólico e desestruturação da memória coletiva.
  • Ruptura das narrativas históricas e da identidade coletiva.
  • Demandas por reconhecimento. simbólico, memória e reparação coletiva.
  • Fortalecimento da memória coletiva, identidade territorial e vínculos comunitários.
  • Preservação e valorização da cultura e da memória dos bairros afetados.
  • Ampliação da participação e do engajamento comunitário nas ações culturais.
  • Registro, difusão e valorização das narrativas, saberes e práticas culturais das comunidades.
  • Estímulo à convivência, reconexão e apoio mútuo entre as populações atingidas.
  • Respeito à memória e à narrativa dos atingidos.
  • Contribuição para reparação com dignidade humana e justiça social.

Meio Ambiente

Achados da Escuta

  • Precarização da infraestrutura, mobilidade e acesso a serviços.
  • Agravamento de vulnerabilidades territoriais e sociais.
  • Perda das condições de segurança, estabilidade e qualidade de vida.
  • Fortalecimento da consciência socioambiental.
  • Proteção e recuperação dos ecossistemas.
  • Construção de comunidades mais resilientes e sustentáveis.
  • Fortalecimento dos vínculos comunitários e da participação social.
  • Contribuição para a adaptação às mudanças climáticas e a justiça socioambiental.
  • Promoção de uma cultura de cuidado, cooperação e sustentabilidade.

Fortalecimento da Sociedade Civil Organizada

Achados da Escuta

  • Precarização da infraestrutura, mobilidade e acesso a serviços.
  • Agravamento de vulnerabilidades territoriais e sociais.
  • Perda das condições de segurança, estabilidade e qualidade de vida.
  • Fortalecimento da capacidade institucional e organizativa das OSCs para a execução de projetos de reparação.
  • Ampliação da participação social da população atingida no Programa.
  • Recomposição dos vínculos comunitários e fortalecimento do tecido social.
  • Fortalecimento da resiliência comunitária e da organização coletiva.
  • Contribuição para a justiça social e ambiental nos territórios.
  • Construção de projetos coletivos de futuro mais justos e sustentáveis.

Conheça a população alcançada