Maceioenses podem ajudar a preservar a memória dos bairros atingidos pela mineração em museu digital 

Iniciativa integra um dos projetos de reparação do Programa Nosso Chão, Nossa História e segue aberta para novos relatos 

O museu digital do projeto de reparação Memórias que Não Afundam continua recebendo histórias de pessoas atingidas direta ou indiretamente pelo desastre socioambiental causado pela mineração da Braskem em Maceió. Desenvolvida pelo Museu da Pessoa, no âmbito do Programa Nosso Chão, Nossa História, a iniciativa busca preservar as memórias dos bairros atingidos por meio de um acervo colaborativo e permanente, construído pelos próprios moradores.

A proposta é reunir histórias de vida, lembranças e relatos sobre a relação das comunidades com os territórios atingidos, formando um acervo digital que preserva experiências, referências culturais e vínculos comunitários marcados pelo desastre. No projeto, o meio ambiente é compreendido em sua dimensão ampla, envolvendo não apenas os recursos naturais, mas também os espaços urbanos, a memória coletiva, as referências culturais e as relações  construídas ao longo de gerações. 

Moradores atingidos pelo desastre podem enviar as suas histórias de memórias com os bairros (Foto: Museu da Pessoa/Reprodução)

Ao longo de 2025, o projeto de reparação Memórias que Não Afundam utilizou a Tecnologia Social da Memória, metodologia desenvolvida pelo Museu da Pessoa que capacita pessoas para registrar histórias de outras pessoas. Ao todo, 12 pessoas atingidas pelo desastre foram formadas como agentes de preservação da memória e ficaram responsáveis por registrar 15 histórias de vida de antigos moradores dos bairros afetados, contribuindo para a construção do acervo digital.

Uma dessas histórias pode ser conhecida no vídeo: 

A integrante do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE), Ana Paula Kummer, ex-moradora do bairro do Pinheiro, participou do projeto e recebeu a formação do Museu da Pessoa. Ela compartilha como a experiência  contribuiu para preservar as memórias e despertou seu interesse em integrar o CGDE, ampliando sua participação no processo de reparação. 

“O projeto é muito especial para mim, em diversos aspectos. Foi meu primeiro contato com o Programa e foi uma oportunidade de viver a experiência de preservação da memória, do resgate afetivo, construção de rede de apoio e, ainda, conhecer a Tecnologia Social da Memória. Foi a partir dele que eu decidi que iria continuar lutando por reparação por meio do CGDE e, por isso, eu espero que as pessoas continuem nos ajudando a contar essas histórias”, ressalta Kummer.

Ana Paula Kummer, hoje integrante do CGDE, conheceu o Programa por meio de sua participação no Memórias que Não Afundam (Foto: NCNH)

Além das histórias já registradas, o museu digital permanece aberto para novas contribuições da  população. Qualquer pessoa que tenha vivido nos bairros atingidos ou mantenha alguma relação  com esses  territórios pode compartilhar sua trajetória e integrar o acervo permanente da exposição, bastando realizar um cadastro gratuito na plataforma do projeto.

“Manter viva a história dos bairros é manter viva, também, a história das pessoas que ali viveram e construíram, ao longo dos anos, relações de amizade, confiança, afeto e pertencimento. Compartilhar essas lembranças é uma forma de preservar essa memória coletiva e dividir esse sentimento com outras pessoas, de Maceió ou de qualquer outro lugar”, destaca Dilma de Carvalho, presidente do CGDE.  

Parceria para a reparação – Museu da Pessoa

Selecionado por meio do Edital de Meio Ambiente do Programa Nosso Chão, Nossa História, o Museu da Pessoa desenvolveu o projeto Memórias que Não Afundam, iniciativa voltada à preservação das histórias de vida, da memória coletiva e das referências culturais dos bairros atingidos pela mineração da Braskem, em Maceió. 

O coordenador de pesquisa do Museu da Pessoa, Lucas Torigoe, reforça que o processo de contribuição é simples  e cumpre um papel importante para a preservação da memória e autonomia de contar as próprias histórias construindo o acervo do Museu. Basta enviar o nome completo, um e-mail e a data de nascimento por meio desse link e seguir o passo a passo intuitivo, escolhendo entre os formatos texto ou vídeo: https://memo.museudapessoa.org/csh/memorias-que-nao-afundam/

“Precisamos de mais pessoas para contar essa história e ajudar na reparação aos danos extrapatrimoniais causados em Maceió. A plataforma é um espaço permanente para contar e deixar todas as memórias registradas. É um processo que inicia também a reparação e ao apoio na cura a partir do que aconteceu via palavra”, reforça Torigoe.

*A foto em destaque integra o acervo pessoal de uma das pessoas que participaram do projeto Memórias Que Não Afundam.

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