Programa Nosso Chão, Nossa História vai mapear trabalhadores(as) informais e microempreendedores(as) individuais

Iniciativa busca identificar os trabalhadores que sofreram perda de renda com o afundamento do solo e compreender os desafios enfrentados para retomada dos negócios. O levantamento deve contribuir para os projetos futuros na área de geração de renda e empreendedorismo

O Programa Nosso Chão, Nossa História lança nesta quarta-feira (4) um chamado público voltado para trabalhadores(as) informais e microempreendedores(as) individuais (MEIs) que exerciam suas atividades e residiam nas áreas afetadas pelo desastre socioambiental causado pela mineração da Braskem em Maceió e regiões adjacentes. O mapeamento tem o objetivo de identificar os trabalhadores(as) e reunir informações sobre os danos coletivos relacionados à perda de renda e os desafios enfrentados para a  realocação de negócios. 

O mapeamento será realizado por meio de um formulário digital, disponível até 17 de janeiro. Além de coletar informações, o formulário ajudará a identificar trabalhadores(as) que poderão integrar os primeiros projetos de Geração de Renda e Empreendedorismo, uma das áreas temáticas contempladas na primeira geração editais do Programa Nosso Chão, Nossa História.

“Essa iniciativa também funciona como um processo de escuta desses públicos, contribuindo para a construção de projetos de reparação mais alinhados às necessidades das pessoas atingidas e comprometimento na economia local. O mapeamento faz parte de uma ação ampla de escuta promovida pelo Programa Nosso Chão, Nossa História, que é uma prioridade do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE)”, explica Dilma de Carvalho, presidenta do CGDE.

Esse trabalho permitirá identificar onde essas pessoas estão atualmente, como se sustentam e quais atividades desempenhavam antes do desastre, além das que exercem no momento. Em uma segunda etapa, será realizado o mapeamento de empresas de outras formas de atividade produtiva.

Os danos extrapatrimoniais, também conhecidos como danos morais coletivos, incluem a perda das interações sociais e comerciais que faziam parte do cotidiano dos bairros atingidos, por exemplo, no encontros nas padarias e comércios locais.

“O contexto econômico do desastre socioambiental também envolve aspectos relativos à memória e às relações comerciais, que reforçam o sentimento de pertencimento ao local, seja por meio dos vínculos sociais ou da percepção do espaço compartilhado. Queremos entender essa realidade e fortalecer as ações do Programa”, destaca Bernardo Bahia, gerente do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), instituição responsável pela operacionalização do Programa Nosso Chão, Nossa História.

Escuta ampliada em Maceió

Essa iniciativa integra o processo amplo de escuta em Maceió, que teve início no dia 18 de novembro, com o lançamento do edital para a seleção de uma organização da sociedade civil (OSC). Essa organização irá mobilizar comunidades diretamente atingidas pelo desastre para o processo de escuta ampliada do Programa. No início de 2025, a escuta será expandida para incluir profissionais da cultura.

Em uma próxima etapa, prevista para o começo do ano que vem, toda a população de Maceió será convidada a participar da escuta, para compartilhar suas experiências sobre os impactos do desastre e os danos morais coletivos.

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