Com apoio do Nosso Chão, Maluco Beleza desfila celebrando a resistência cultural e a memória dos bairros

O bloco desfilou dentro das atividades do Rota de RExistência, projeto de reparação executado pela Fepesa, junto ao Hospital Escola Portugal Ramalho, o Instituto Ideal e a Mídia Caeté, selecionados em edital do Programa

Folia, reencontro e celebração da memória e das pessoas que fazem a cultura dos bairros afetados pelo desastre socioambiental da Braskem em Maceió marcaram a realização da 35ª edição do Maluco Beleza, que reuniu pacientes e funcionários do Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), além da comunidade da região do Farol.

Este ano, o bloco desfilou dentro das atividades do Rota de RExistência, projeto de reparação executado pela Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão e Pesquisa de Alagoas (Fepesa), junto ao HEPR, o Instituto para o Desenvolvimento das Alagoas (Ideal) e a Cooperativa de Jornalismo Mídia Caeté, selecionados no edital público Calendário Cultural, Memória e Resistência, do Programa Nosso Chão, Nossa História.

Com o lema “Não é Loucura Resistir”, o Maluco Beleza levou alegria aos participantes que, durante toda a tarde, pularam as marchinhas carnavalescas, concentrados em um trecho da Rua Oldemburgo da Silva Paranhos. E, para fortalecer a folia, o bloco convidou outros dez grupos que representam os bairros afetados pelo desastre socioambiental, causado pela mineração da Braskem. São eles:

  • Amigos na Folia
  • Reviver na Folia
  • Los Coquitos
  • Pau de Arara
  • Pingalada
  • Bobo
  • Sururu da Lama
  • Turma da Ressaca
  • Bebedouro na Folia
  • Bloco da Raposa

Na ponta dos pés, frevo e axé; nos rostos, máscaras confeccionadas durante as atividades do Calendário Cultural, por meio da arteterapia, prática que utiliza a expressão artística como recurso terapêutico para explorar dimensões conscientes e inconscientes e interligar os universos interno e externo do indivíduo, favorecendo a saúde física e mental.

A jovem Maria Silva*, paciente residente há mais de cinco anos no Hospital Psiquiátrico Portugal Ramalho, é uma das foliãs do Maluco Beleza. “Eu gosto muito do carnaval porque a gente se diverte e pula de alegria. É muito divertido e alegre. Também gosto muito de dançar”, contou Silva.

A coordenadora do Instituto Ideal, que é coexecutor do Rota de RExistência e realizou o levantamento de mapeamento cultural dos bairros, Isadora Padilha, diz que o formato deste ano, ao reunir outros blocos, é uma forma de apoiar a reparação por meio dos reencontros possibilitados pelo evento.

“Hoje, o Portugal Ramalho é a única instituição pública de saúde mental, então nos juntamos ao Maluco Beleza, por meio do edital, para fortalecer essa cultura que resiste para existir diante de toda essa situação causada em nossa cidade”, argumentou Padilha.

Ainda no âmbito das ações do projeto de reparação, o Rota de RExistência está com formulário aberto para a identificação e o mapeamento de atividades culturais que possam integrar as programações, as trilhas formativas e outras ações da iniciativa.   

“O carnaval, materializado na força dos blocos, se reafirma como um ato de resistência e união para a reparação, reunindo pessoas que, devido ao desastre socioambiental se dispersaram, e que agora estão em torno de um bem comum: a alegria que fortalece laços, reafirma identidades e mantém viva a coletividade”, argumenta Darlan Cleiton, membro do Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais (CGDE) e morador da Chã de Bebedouro.

Cultura e reparação 

Além do edital Calendário Cultural, Resistência e Memória,  o Nosso Chão, Nossa História promoveu, desde 2025, outros três editais. Um deles segue aberto até o dia 12 de fevereiro. Trata-se do edital “Incentivo às práticas culturais dos trabalhadoras e trabalhadores atingidos”, que tem como objetivo estabelecer parceria com uma organização da sociedade civil (OSC) para o incentivo às práticas culturais de trabalhadores e trabalhadoras atingidos pelo desastre.

Já os outros dois editais, Apoio à Cultura Sustentável Podcast, Memória e Resistência, tiveram como objetivo desenvolver um projeto de reparação de danos extrapatrimoniais voltado aos fazedores de cultura, coletivos e grupos atingidos pelo desastre e  criar e implementar podcasts para manutenção da memória dos bairros afetados, respectivamente.

Confira, abaixo, as organizações contempladas por todos os editais da área:

Edital Nome das Organizações Selecionadas
Apoio à Cultura Autossustentável Associação dos Artesãos Criativos de Alagoas
Podcast Memória e Resistência Laboratório Brasileiro de Cultura Digital – Mídia Caeté
Calendário Cultural, Memória e Resistência Quintal Cultural Fepesa
(com coexecução do Hospital Escola Portugal Ramalho, Ideal e Mídia Caeté)

Sobre o Programa

O Programa Nosso Chão, Nossa História é resultado de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal em Alagoas (MPF/AL), que responsabilizou a Braskem pela reparação dos danos morais coletivos causados pelo desastre socioambiental da mineração em Maceió.

As atividades e os projetos do Programa são definidos pelo Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE), grupo voluntário formado por pessoas atingidas e representantes de instituições públicas. A operacionalização das ações é realizada pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). Está prevista a aplicação de R$150 milhões ao longo de quatro anos, por meio da implementação de projetos executados por organizações da sociedade civil, voltados à reparação dos danos morais coletivos.

*O nome da paciente foi preservado.

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