Nosso Chão, Nossa História leva debate sobre reparação aos danos morais coletivos à Bienal do Livro de Alagoas

Roda de conversa trouxe tema do racismo socioambiental no contexto do desastre da mineração em Maceió e mudanças climáticas

O Programa Nosso Chão, Nossa História integrou, na manhã do último sábado (1º), a programação da 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, que ocorre até o próximo domingo (09), no Centro de Convenções Ruth Cardoso, no bairro do Jaraguá, em Maceió. 

A participação no evento foi dividida em dois momentos: o primeiro abordou o tema da reparação no contexto do desastre socioambiental da mineração  e apresentou o histórico do Programa até os dias atuais. Compuseram a mesa a procuradora da República Juliana Câmara, a presidente do Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais (CGDE), Dilma de Carvalho e o gerente do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops) no Programa, Bernardo Bahia.

Ao ressaltar a importância da discussão sobre os danos morais coletivos no evento, Câmara fez um breve histórico da atuação e o papel do MPF voltada à reparação de danos morais coletivos causados pelo desastre e mencionou alguns desafios enfrentados no caso.  Já Bahia rememorou a chegada do UNOPS em Maceió e o trabalho feito em parceria com o CGDE que define as prioridades e as melhorias no âmbito do Programa.

Roda de conversa ocorreu no sábado (1º) durante Bienal do Livro de Alagoas 

Com o tema: “Caminhos da reparação: enfrentando o racismo socioambiental e as mudanças climáticas”, a segunda parte da roda de conversa recebeu os consultores do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS), Christiane Falcão, especialista em Raça e Etnia; Flávio Moutinho, doutor em Medicina Veterinária; Gardênia Nascimento, arquiteta urbanista e especialista em Cultura; além  da coordenadora social do UNOPS, Renata Ferreira. 

Durante a segunda rodada de conversas, os integrantes da mesa apresentaram os desafios e caminhos para o enfrentamento ao racismo socioambiental no contexto local da reparação de danos morais coletivos, além de discutir conceitos relacionados às mudanças climáticas.

Para a presidente do Comitê, Dilma de Carvalho, ocupar espaços, como o da Bienal, também faz parte do trabalho de reparação de danos coletivos.

“Nada mais emblemático do que estar dentro da Bienal do Livro, lugar de muita troca de conhecimento, interação, informação e acessível a todos os públicos, por ser gratuita. Tudo tem sido feito sob esse pensamento de que reparar danos morais coletivos é não só dar acesso à população ao Comitê Gestor, mas garantir um trabalho de transparência e acesso à informação”, pontuou Carvalho.

Jhonan Santos é mestrando em psicologia da Ufal*

O estudante de mestrado em Psicologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Jhonan Santos, foi uma das pessoas que esteve presente para assistir à roda de conversa.

“Eu ainda não tinha ouvido falar do conceito de reparação no âmbito de desastres socioambientais. Sou de Sergipe e estou há pouco tempo em Maceió. Independente disso, para mim, todos deveriam se envolver com esse assunto. Ter tido essa oportunidade de acessar o evento hoje foi muito importante, porque, a partir do que vi, pretendo me dedicar e procurar outros estudos para leitura e aprofundamento”, contou o acadêmico.

Sobre o Programa

O Nosso Chão, Nossa História é resultado de ação civil pública representada pelo Ministério Público Federal de Alagoas (MPF/AL), que responsabilizou a Braskem pela reparação dos danos extrapatrimoniais ocorridos a partir do afundamento de cinco bairros de Maceió. 

As atividades e os projetos da iniciativa são definidos pelo Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE) – um grupo que reúne pessoas da sociedade civil e representantes de instituições públicas, de atuação voluntária. As ações são operacionalizadas pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). É prevista a aplicação de R$ 150 milhões ao longo de quatro anos, por meio da implementação de projetos por organizações da sociedade civil, para a reparação de danos morais coletivos.

*A imagem do entrevistado foi editada com apoio da ferramenta Gemini.

Compartilhe esse conteúdo

Relacionados

Fale conosco

Se você tiver perguntas, comentários ou precisar de mais informações sobre nossas atividades, por favor, preencha o formulário ou utilize as informações de contato fornecidas.

Conteúdos relacionados

“Para Sempre, Nosso Chão”: campanha relembra 8 anos do tremor em Maceió

Durante o mês de março, Programa Nosso Chão, Nossa História relembrará o desastre socioambiental sob a perspectiva da reparação Da Rua Cônego Costa, no Bebedouro,

02/13/2026

Artigo: o Carnaval e a reparação em Maceió

Presidente do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais, Dilma de Carvalho, escreve sobre a festa momesca e sua relação com a reparação na capital alagoana Por

Inscrições prorrogadas até 27 de fevereiro para edital que incentiva iniciativas culturais em Maceió

O financiamento da proposta selecionada poderá chegar a aproximadamente R$ 1,46 milhão, com cerca de R$ 1 milhão para a instrumentalização das iniciativas culturais atingidas

Com apoio do Nosso Chão, Maluco Beleza desfila celebrando a resistência cultural e a memória dos bairros

O bloco desfilou dentro das atividades do Rota de RExistência, projeto de reparação executado pela Fepesa, junto ao Hospital Escola Portugal Ramalho, o Instituto Ideal

Dia da Saudade: maceioenses atingidos pelo afundamento do solo podem contribuir com acervo de museu digital

Iniciativa faz parte de projeto de reparação “Memórias que Não Afundam”, do Programa Nosso Chão, Nossa História A conversa com a família sentada à porta

Janeiro Branco: saúde mental no Nosso Chão, Nossa História é temática estruturante na reparação

Nove projetos de reparação atuam diretamente com a temática; Programa entende a área como linha transversal nas ações   Em 2019, a vida de Roberta Santos,