Negócios, valorização da cultura e reparação marcam 2ª edição da Feira de Empreendedorismo

Evento reuniu empreendedores e trabalhadores informais que foram atingidos pelo desastre socioambiental

Resiliência, cultura e novos começos marcaram a 2ª edição da Feira de Empreendedorismo, realizada no dia 08 de março, no Mirante Domingos Vanderlei, na Santa Amélia, em Maceió. O evento representou a culminância do projeto de reparação Nosso Chão Empreende, desenvolvido no âmbito do Programa Nosso Chão, Nossa História, por meio do Impact Hub, parceiro implementador.

Durante a tarde do dia 8 de março, mais de 50 empreendedores atingidos pelo desastre da mineração causado pela Braskem, que participaram, ao longo de quatro meses, de uma série de capacitações em marketing, gestão financeira, formalização de empresas, entre outros temas, puderam exibir e vender seus produtos e serviços à população.

Jozanes Demézio, ex-moradora do bairro do Bebedouro, é uma das participantes do projeto (Foto: UNOPS)

Uma dessas empreendedoras é Jozanes Demésio, de 38 anos. Ex-moradora do Bebedouro, ela teve que interromper as atividades do seu negócio e construir uma nova vida no Benedito Bentes, na parte alta da cidade. Recomeçar sua microempresa de venda de doces e salgados em um novo local não foi tarefa fácil: conquistar novos clientes, ganhar confiança, compreender as necessidades do público e administrar o negócio em outro território só se tornou possível graças ao projeto de reparação Nosso Chão Empreende.

“Eu aprendi coisas novas. Para mim, representou um verdadeiro divisor de águas na minha vida e no meu negócio. Tudo o que aprendi não se perde. Eu confesso que fazia algumas coisas no tato, mas agora, com o curso, entendo muito mais como levar o meu negócio adiante e aproveitar as oportunidades. Aqui, vendo pastel frito, coxinha e outros produtos”, conta a empreendedora.

Da esquerda para a direita: Dilma de Carvalho, Cauã Sousa, Telma Guimarães, Ana Paula Kummer e Paula Sousa, membros do CGDE (Foto: UNOPS)

Presente à feira, Dilma de Carvalho, presidente do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais, ressaltou que a reparação dos danos morais coletivos passa pelo fomento à geração de renda e ao fortalecimento de atividades produtivas.

“Foi muito bom poder acompanhar, durante esses últimos meses, e ver de perto os resultados desse projeto. O desastre causou uma mudança significativa na economia local da coletividade. Para que as pessoas consigam seguir em frente, foi necessário apoiá-las também nessa frente de reparação por meio da capacitação e da construção de redes. Saber que, a partir daqui, os empreendedores estão mais preparados para enfrentar os desafios é muito importante”, afirma Carvalho.

Debora Oliveira, coordenadora local do Impact Hub, destaca que a diversidade presente na feira reflete a relevância do projeto para empreendedores e trabalhadores informais afetados pelo desastre da mineração.

“Estamos muito felizes com o resultado do projeto. São efeitos transformadores para quem participou. Esta feira é um dos inúmeros resultados do curso. Empreendedores satisfeitos, apoiados e, acima de tudo, com mais visibilidade para seus negócios”, comenta Oliveira.

Quem participou da atividade teve a oportunidade de conhecer e entrar em contato com serviços de empresas de barbearia, oficina, serralheria, marcenaria, pet shop, aluguel de brinquedos, entre outros. O espaço também reuniu diversas lojas de artesanato, bijuterias, comida regional e açaí.

Evento contou com apresentações culturais (Foto: UNOPS)

A programação contou ainda com a apresentação do cantor Gabriel Lisboa no início da tarde, do Coco de Roda Reviver e do grupo Carlos Xuru e Dogão, que encerrou o evento com muita vibração e valorização da cultura popular.

No local, também foi montada a mini-exposição fotográfica intitulada “Nós Existimos”, de autoria da fotógrafa Lina Vasconcellos, integrante da primeira turma do projeto.

A dona de casa Geane Lima, 59, saiu do bairro da Ponta Grossa, na parte baixa da cidade, para visitar a 2ª Feira de Empreendedorismo. Para ela, foi uma oportunidade de conhecer novos negócios e apoiar pessoas impactadas pelo desastre.

“Depois de tudo o que eles passaram, acho importante que possamos apoiá-los para que sigam em frente com seus empreendimentos, gerando renda e também emprego para outras pessoas. É um projeto muito positivo, em que todos e todas têm a ganhar”, diz Lima.

Sobre o projeto

A 2ª edição da Feira de Empreendedorismo integra o projeto de reparação Nosso Chão Empreende, promovido pela organização Impact Hub, parceira do Programa Nosso Chão, Nossa História . O projeto foi realizado a partir do edital Geração de Renda e Empreendedorismo do Nosso Chão, que selecionou organizações da sociedade civil para apoiar empreendedores e trabalhadores informais atingidos pelo desastre socioambiental em Maceió.

Durante quatro meses, trabalhadores informais e empreendedores atingidos já formalizados participaram de capacitações em áreas como gestão financeira, marketing, formalização de negócios e apoio ao empreendedorismo, entre outras atividades. A primeira turma contemplou 40 negócios e a segunda, 60.

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