Nosso Chão, Nossa História divulga resultados da escuta da população atingida e celebra dois anos de atividades em Maceió

Evento ocorreu na sede do Ministério Público Federal (MPF/AL) e marcou também o encerramento da atual gestão de Comitê Gestor

O Programa Nosso Chão, Nossa História realizou, nesta sexta-feira (29), na sede do Ministério Público Federal em Alagoas (MPF/AL), o 1º ECOANDO – Vozes da Reparação, evento que apresentou o resultado da escuta ampliada  da população atingida pelo desastre socioambiental da mineração da Braskem.

As informações coletadas e sistematizadas passam, agora, a subsidiar a formulação de futuros projetos de reparação executados por organizações da sociedade civil, com foco em temas como direito à memória, reconstrução dos vínculos comunitários, fortalecimento da saúde mental comunitária, recuperação das dinâmicas econômicas locais e valorização dos territórios atingidos, entre outras áreas. A atividade também marcou os dois anos do Programa em Maceió, com a divulgação de um relatório bianual, o encerramento da atual gestão do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE) e o anúncio da publicação de cinco novos editais.

A escuta da população é fundamental em processos de reparação de desastres socioambientais e, no caso do Nosso Chão, Nossa História, uma antiga demanda do CGDE. Realizada desde o final de 2025, por meio de diferentes abordagens (escuta coletiva, escuta de grupos prioritários e escuta individualizada, por meio da ferramenta digital IARA), ela buscou identificar impactos e demandas relacionados aos danos extrapatrimoniais, contribuindo para a construção de ações de reparação mais justas e conectadas às necessidades das comunidades.

Além disso, os resultados revelam o perfil da população atingida, com predominância de grupos mais vulneráveis, e o deslocamento forçado para bairros como Vergel, Petrópolis, Cidade Universitária, Chã de Jaqueira e Benedito Bentes, refletindo uma redistribuição populacional para áreas da “parte alta” de Maceió.

“Esses resultados representam um marco importante para o Programa, na medida em que contribuem para que os futuros projetos estejam cada vez mais alinhados às expectativas e necessidades das pessoas atingidas. As escutas reforçam a importância da construção coletiva, com as comunidades participando ativamente da definição de prioridades e caminhos para a reparação”, disse a presidente do Comitê Gestor, Dilma de Carvalho. Os resultados podem ser vistos no site do Programa. No evento de visibilização dos resultados, os pesquisadores Sidnei Raimundo,  doutor em Geografia pela Unicamp; Ana Carolina de Campos Honora,  mestra em Ciências, Mudança Social e Participação Política pela USP e Grislayne Guedes Lopes da Silva,  doutora em Turismo pela USP, apresentaram como foram construídos os resultados das escutas.

Pesquisadores apresentaram resultados das escutas realizadas com a população atingida.

As análises se estruturaram em três eixos interdependentes (território, indivíduo e coletivo), que permitiram compreender os danos extrapatrimoniais em suas dimensões territorial, subjetiva e social.

Balanço

Além da apresentação dos resultados das escutas, o evento trouxe um balanço dos dois anos do Programa Nosso Chão, Nossa História, desenvolvido sob a coordenação do Comitê Gestor, com operacionalização do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). O Relatório Bianual do Programa está disponível e pode ser acessado neste link.

“A apresentação desse balanço simboliza um momento relevante de transparência do Programa, ao reunir informações sobre o caminho percorrido até aqui e sobre os projetos já implementados. O Relatório evidencia, sobretudo, o trabalho conjunto com o CGDE, as vozes das comunidades atingidas e o papel dos parceiros implementadores, fundamentais para o processo de reparação”, afirma Bernardo Bahia, gerente de projetos do UNOPS no Programa.

O 1º ECOANDO – Vozes da Reparação também marcou o encerramento da gestão 2024–2026 do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE). Na ocasião, as representantes do MPF/AL lembraram o trabalho realizado pelo CGDE (instância voluntária que nasceu em decorrência do acordo socioambiental que responsabilizou a Braskem pelo danos extrapatrimoniais).

MPF homenageia gestão do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE)

“Esse caminho tem sido árduo e a gente fica muito feliz de ver o processo de reparação acontecendo. Precisamos agradecer a todas as pessoas que construíram e constroem a reparação porque é em rede e em parceria que nós atuamos. É uma missão entregar reparação à cidade de Maceió, por meio do CGDE, dos parceiros implementadores, do UNOPS e de todos que constroem esses caminhos”, ressaltou a procuradora-chefe do MPF em Alagoas, Roberta Bomfim.

Ao final do evento, as procuradoras do MPF/AL homenagearam o CGDE com a entrega de certificados e placas aos membros presentes, em reconhecimento ao trabalho realizado .

Sala Expositiva

Durante o 1º ECOANDO, foi aberta a Sala Expositiva do Programa Nosso Chão, Nossa História, com materiais que apresentam a trajetória do Programa, desde as primeiras escutas e a campanha ECOA até os projetos de reparação em execução.

Sala Expositiva reúne materiais referentes ao Programa Nosso Chão, Nossa História

No espaço, o público pode conferir materiais relacionados ao trabalho realizado até agora pelo Programa e murais afetivos produzidos pelas pessoas destinatárias durante os projetos de reparação, cartilhas produzidas pelo Programa e pelos parceiros implementadores, dentre outros registros.

A Sala Expositiva fica aberta até o dia 29 de junho, das 8h às 15h, na sede do Ministério Público Federal, situada na Avenida Juca Sampaio, 1800 (próximo ao Fórum), no bairro Barro Duro.

Confira, logo abaixo, uma galeria de fotos do evento:

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