ONU mapeia potenciais parceiros para reparação de danos morais coletivos em Maceió

Iniciativa busca identificar lideranças locais, coletivos e organizações da sociedade civil que podem colaborar com a implementação de projetos

O Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS) lançou um chamado público para lideranças comunitárias, coletivos e Organizações da Sociedade Civil (OSCs) interessadas em colaborar com a reparação de danos morais coletivos em Maceió, em função do afundamento de cinco bairros da capital alagoana. O objetivo é criar um banco com informações sobre possíveis parceiros para a implementação do programa de reparação, batizado de Nosso Chão, Nossa História. Acesse aqui o formulário.

O programa foi instituído pelo Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE), grupo criado no âmbito do acordo socioambiental firmado em 2020, que responsabilizou a Braskem pela reparação dos danos morais coletivos causados pelo afundamento nos bairros Pinheiro, Bom Parto, Mutange, Bebedouro e Farol. Serão implementados R$150 milhões em quatro anos, por meio do programa operacionalizado pelo UNOPS, cujas prioridades são definidas pelo Comitê Gestor.

O mapeamento dos potenciais parceiros é etapa fundamental para a implementação do programa. “Com esse banco de dados, teremos contatos e informações sobre as áreas de atuação de organizações da sociedade civil e grupos que atuam em Maceió, para saber como eles podem apoiar a execução do Nosso Chão, Nossa História, destaca Dilma Marinho de Carvalho, presidenta do CGDE. A expectativa é que os primeiros editais para a implementação de projetos sejam lançados em junho.

Os interessados devem preencher o formulário com informações sobre sua área de atuação, histórico de trabalho e participação social. É necessário também fornecer dados sobre a relação com os bairros atingidos. “Encorajamos a participação de coletivos e lideranças comunitárias, independentemente de seu registro formal. Isso porque, no futuro, o programa deve oferecer capacitações e fomento a organizações da sociedade civil, para garantir uma ampla representação”, afirma o gerente do programa pelo UNOPS, Bernardo Bahia.

Com esse mapeamento, o UNOPS e o Comitê Gestor esperam dimensionar o trabalho das OSCs e outros grupos para executar projetos, classificando-os por área de atuação e capacidade técnica. Além disso, espera-se verificar qual a demanda por formalização e outros tipos de capacidades, para promover atividades que aumentem a participação da sociedade civil organizada.

“O desastre da mineração de sal-gema causou intensos danos morais coletivos, cuja reparação está sendo endereçada segundo os anseios da própria comunidade, representada pelo Comitê Gestor. Com o mapeamento das organizações da sociedade civil locais, será possível viabilizar o engajamento dos munícipes na execução das ações reparatórias, garantindo assim a participação direta da população nesse processo de reconstituição de vidas e superação de dores”, diz Juliana Câmara, procuradora da República do Ministério Público Federal de Alagoas, responsável pelo acordo que permitiu o repasse dos recursos.

Programa Nosso Chão, Nossa História

Resultado da ação civil pública nº 0806577-74.2019.4.05.8000 representada pelo Ministério Público Federal de Alagoas, que responsabilizou a Braskem pela reparação dos danos ocorridos a partir do afundamento de cinco bairros de Maceió, as atividades e projetos do Programa Nosso Chão, Nossa História são definidos pelo Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE) e operacionalizados pelo UNOPS. A iniciativa busca reparar danos coletivos extrapatrimoniais (relacionados, por exemplo, à memória, à saúde mental coletiva e ao empreendedorismo), com incentivo ao desenvolvimento. Em breve, o programa terá site e Instagram, para divulgação das ações e editais.

Em caso de orientações e dúvidas, as pessoas poderão entrar em contato no (82) 99334-2949

Compartilhe esse conteúdo

Relacionados

Fale conosco

Se você tiver perguntas, comentários ou precisar de mais informações sobre nossas atividades, por favor, preencha o formulário ou utilize as informações de contato fornecidas.

Conteúdos relacionados

Dia Internacional das Mulheres: ações de reparação do Nosso Chão têm mulheres como grupo prioritário

Projetos apoiados pelo Programa fortalecem o cuidado com a saúde mental, mobilização comunitária e ampliam a participação feminina na preservação da memória viva dos territórios

“Para Sempre, Nosso Chão”: campanha relembra 8 anos do tremor em Maceió

Durante o mês de março, Programa Nosso Chão, Nossa História relembrará o desastre socioambiental sob a perspectiva da reparação Da Rua Cônego Costa, no Bebedouro,

02/13/2026

Artigo: o Carnaval e a reparação em Maceió

Presidente do Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais, Dilma de Carvalho, escreve sobre a festa momesca e sua relação com a reparação na capital alagoana Por

Inscrições prorrogadas até 27 de fevereiro para edital que incentiva iniciativas culturais em Maceió

O financiamento da proposta selecionada poderá chegar a aproximadamente R$ 1,46 milhão, com cerca de R$ 1 milhão para a instrumentalização das iniciativas culturais atingidas

Com apoio do Nosso Chão, Maluco Beleza desfila celebrando a resistência cultural e a memória dos bairros

O bloco desfilou dentro das atividades do Rota de RExistência, projeto de reparação executado pela Fepesa, junto ao Hospital Escola Portugal Ramalho, o Instituto Ideal

Dia da Saudade: maceioenses atingidos pelo afundamento do solo podem contribuir com acervo de museu digital

Iniciativa faz parte de projeto de reparação “Memórias que Não Afundam”, do Programa Nosso Chão, Nossa História A conversa com a família sentada à porta